quarta-feira, 27 de junho de 2012

Videoteca do Bitom


Sinopse:

O filme de hoje é "Cidade de Deus" conta a história de um jovem negro chamado Buscapé, fotógrafo do Jornal do Brasil, morador da favela Cidade de Deus, narra a evolução desta favela do Rio de janeiro, através da trajetória de Dadinho, depois Zé Pequeno e seus comparsas. Das origens na década de 1960, com o surgimento da primeira gangue de assaltantes, até primórdios dos anos de 1980, onde o grande negócio é boca de fumo e narcotráfico, acompanhamos o desenvolvimento da marginalidade da favela Cidade de Deus. Na ótica de Meireles (Diretor), crianças e jovens marginais são bandidos quase por natureza, jogados no mundo e destinados à morte (observa-se a construção da personalidade cruel e sádica de Zé Pequeno, desde criança). Por outro lado, é perceptível  a ausência do Estado político, que só aparece para reprimir ou corromper. Apesar de estar no município do Rio de Janeiro, a favela Cidade de Deus é, em si, um pequeno mundo , mundo de barbárie, imerso num estado de natureza. É claro que é o local de moradia de trabalhadores pobres da cidade do Rio de Janeiro (por exemplo, Mané Galinha era cobrador de ônibus). Mas o que o filme expõe é um universo infernal de dissolução social de sociabilização e de resistência cultural ainda que bastante precárias (por exemplo, em fins dos anos 1960, o entretenimentos para jovens, crianças e adolescentes da Cidade de Deus eram peladas de futebol de areia e mergulho no riacho; com a expansão urbana degradada, no decorrer dos anos 1970, os únicos espaços de sociabilidade se degrada na mesma medida da degradação do espaço urbano. O filme Cidade de Deus nos apresenta quase trinta de história do Brasil, visto através do mundo da favela. É importante apreendermos a constituição do espaço de barbárie social pelo próprio Estado capitalista periférico em crise estrutural. Na verdade, a favela torna-se gueto social, fértil para os negócios escusos da droga. O filme tende a apresentar cenas fortes da criminalidade nas favelas do Rio de Janeiro, verdadeira guerra civil, a neo guerrilha urbana dos anos 1980 até nossos dias. Embora evite apresentar o espetáculo da violência urbana, sua intensidade não deixa de impressionar e entender o público, paralisando a reflexão crítica sobre a crua realidade social brasileira. De qualquer modo, o filme possui interessantes detalhes que podem propiciar um longo e primoroso debate sobre a degradação social das metrópoles brasileiras nos últimos trinta anos.






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